
Responsável direto pela realização do 1º Campeonato Panamericano em Los Angeles e o 1º Campeonato Mundial no Rio, Fernando Yamasaki veio a Porto Seguro, terra mãe do Brasil no extremo Sul da Bahia para participar do 1º Seminário de Jiu-Jítsu com os temas “Técnicas de Jiu-Jítsu e Defesa Pessoal, A Importância do Jiu-Jítsu Contra o Bullyng nas Escolas em crianças e Adolescentes”.
Mestre em Jiu-Jítsu Fernando Yamasaki mora nos Estados Unidos, arbitro do UFC, Fernando tem alunos e academias espalhadas pelo mundo. Em Porto Seguro, o pupilo Rodrigo Vieira, mentor do seminário, dar aula e promove inclusão social através do Jiu-Jítsu.

Entrevista:
Gutemberg Stolze – Fernando, todos sabem que você vem de uma família de judocas, após infância e adolescência praticando artes marciais quando despertou e como começou sua trajetória no cenário mundial das lutas?
Fernando Yamasaki – Comecei de fato seguindo os paços do meu pai aos 3 anos de idade no Judô, com 18 anos entrei na seleção de luta olímpica ao mesmo tempo iniciei no Jiu-Jítsu, base do antigo vale-tudo, hoje MMA.
Gutemberg Stolze – Qual sua primeira participação como arbitro?
Fernando Yamasaki – A minha primeira participação aconteceu em 1998 na primeira edição do UFC no Brasil conhecido como UFC 17,5 (Dezessete e Meio), a competição aconteceu no ginásio da Portuguesa em São Paulo. O diretor do evento me perguntou “Você quer fazer alguma cosia?”, respondi que queria arbitrar.
Gutemberg Stolze – Qual a principal luta que você arbitrou em sua carreira?
Fernando Yamasaki – Para mim as principais lutas são todas aquelas que eu arbitro, eu procuro não gravar nenhuma das minhas lutas, durante aquele momento estou tão focado que depois se você me perguntar eu não vou lembrar, entendo que tenho de respeitar os atletas que estão ali, pelo trabalho e treino que ele fazem, todo gasto de energia e dinheiro, agindo desta forma imparcial é a maneira de mostrar meu respeito.

Gutemberg Stolze – Dentre as inúmeras lutas realizadas no UFC, qual lhe chamou mais atenção?
Fernando Yamasaki – Eu sou um cara romântico e gosto do passado, gosto das lutas do Royce Gracie, Royce foi o cara que “Fez” o UFC ficar famoso, se nos conseguimos hoje vivemos deste esporte chamado Jiu-Jítsu devemos tudo isso a ele e a família Gracie, por isso o Royce esta sempre na minha cabeça e no meu coração.
Junior Leite – Você falou que entrou no UFC 17,5 e nos contou uma história que para mim foi bem peculiar, o cara te perguntou o que você queria fazer, hoje para ser arbitro do UFC o que é necessário?
Fernando Yamasaki – Antigamente não existiam regras, naquela época a função do arbitro era parar a luta quando um dos atletas fosse nocauteado, hoje existe regras, você não pode bater na “Coroa”, a sua mão deve está sempre conectada à sua orelha, não pode dedada no olhos, ou seja são varias regras e para isso você tem que está qualificado, aquilo que fiz no passado, o aventureiro, acabou. Hoje em dia temos cursos de arbitragem pelo mundo inteiro com certificação, o nosso curso tem a certificação da ABC (Associação das Comissões de Boxe) que comanda as regras do MMA com sede nos Estados Unidos e Canadá, hoje para você ser um arbitro ou juiz é obrigado a ter esta certificação.

Junior Leite – Em entrevista Chael Sonnen reclamava que sem a reposição da testosterona ele seria um pai ruim, um esposo ruim, o que você acha da proibição do TRT?
Fernando Yamasaki - Eu fui atleta olímpico e defendi o Brasil em várias oportunidades, quando somos atletas, devemos tomar muito cuidado, eu nasci asmático, sempre sofri e fui hospitalizado inúmeras vezes por esta deficiência, eu tinha que tomar cuidado de tomar os remédios, por isso andava com a receita e autorização médica para provar minha condição. Cada um nasce com sua deficiência e devemos saber como contornar, eu queria ter nascido com 1,80 de altura e nasci com 1,69. Tive que me adaptar, se um produto é ilegal e porque há melhoras, isso afeta diretamente aos atletas que não tem condições de comprar este produto.
Cézar Aguiar – Fernando, o Brasil, criador deste esporte é bem visto no cenário mundial e como a transformação de um esporte de ídolos se transformou em um esporte de massa?
Fernando Yamasaki – Muito, muito respeitado, todo mundo sabe que quando vai luta com brasileiro vai ter “Carne de Pescoço”. O UFC tem hoje no Brasil 12 a 13 eventos por ano, isso popularizou o esporte, mas, nosso país tem que mudar muito, criar centros de treinamentos, equipes de professores e equipe médica que cuidem tecnicamente dos atletas e da sua saúde como acontece nos Estados Unidos. Devemos, encarar com profissionalismo para manter nossa hegemonia, o esporte é nosso, foi criado por brasileiro e por orgulho temos que cuidar, este é um esporte 100% brasileiro como a capoeira que é uma marca registrada, é nossa e ninguém rouba. O vale-tudo ou MMA foi criado aqui, modificado nos Estados unidos, mas, a hegemonia é nossa por isso temos que cuidar, esta é uma responsabilidade nacional.
Gutemberg Stolze – Temos visto principalmente em reality show a exaustão física e muscular, como é para o arbitro controlar isso dentro de um octógono, tem que parar a luta?
Fernando Yamasaki – Não eu não posso parar, existe a situação em que os lutadores vão para a grade ou quando eles vão pro chão, eu sempre dou um tempinho, os caras vão ficar ali de 15 a 20 segundos, “Eles fingem que lutam e eu finjo que estou arbitrando”, a luta é difícil e às vezes é brutal, o desgaste é muito grande, este tempinho para um atleta de ponta é suficiente para ele se recuperar, lembrando que estamos num show, por isso devemos lembra que tem publico e devemos agradar ser imparcial, mas, conduzi a luta com maestria.
Por Gutemberg Stolze – imprensananet.com