
Os acessos a Trancoso, Caraíva e Praia do Espelho foram bloqueados por indígenas do povo Pataxó na manhã desta terça-feira (7), em protesto contra a decisão judicial que determina a reintegração de posse da Aldeia Lagoa Doce, localizada na zona rural de Trancoso, em Porto Seguro.
A manifestação interditou o trevo de Trancoso e estradas vicinais, afetando o trânsito de moradores, turistas e prestadores de serviços em uma das regiões mais movimentadas do litoral sul da Bahia. Até o momento, não há previsão para a liberação das vias.
O protesto ocorre após a comunidade receber a notificação oficial da Justiça informando que o cumprimento da ordem de reintegração poderá ocorrer nas próximas 48 horas. Segundo lideranças indígenas, a medida pode resultar na retirada de dezenas de famílias, incluindo crianças e idosos, aumentando a tensão na aldeia.
A disputa envolve uma área localizada na região de Itaquena, alvo de valorização imobiliária e turística. A ação de reintegração foi proposta pela empresa Itaquena S/A, ligada ao empresário Moacyr de Andrade, que sustenta possuir o direito de propriedade sobre o imóvel.
Os indígenas, por sua vez, afirmam que a área integra o território tradicional do povo Pataxó e defendem que o processo deve considerar os direitos territoriais garantidos aos povos originários pela Constituição Federal. As lideranças também destacam a importância histórica, cultural e espiritual da Aldeia Lagoa Doce, onde vive a tradicional Família Braz, uma das principais referências da comunidade.
O impasse evidencia um dos conflitos fundiários mais delicados do extremo sul da Bahia. Enquanto a decisão judicial reconhece o direito possessório reivindicado pela empresa, representantes indígenas defendem que a demarcação definitiva do território deve ser analisada pelos órgãos federais competentes, especialmente a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), antes da execução da medida.
Equipes das forças de segurança acompanham a situação para evitar confrontos, enquanto autoridades buscam alternativas para reduzir a tensão. O bloqueio ocorre em plena alta temporada do turismo regional e impacta o deslocamento para alguns dos destinos mais visitados do país, aumentando a preocupação de moradores, empresários e visitantes.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com