
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tem sido alvo de forte repercussão pública, de críticas por parte de parlamentares e de pedidos de impeachment em razão de sua condução de partes do chamado Caso Banco Master. O caso envolve investigação de uma suposta fraude bilionária no agora liquidado Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).
— Relacionamentos e Conexões Questionadas
O caso ganhou destaque por ter sido trazido ao STF após decisão de Toffoli de retirar o processo das instâncias inferiores e transferi-lo à Corte, sob sua relatoria, com imposição de sigilo elevado às investigações. Tal centralização foi alvo de críticas por parte de integrantes da CPMI do INSS e parlamentares, que a consideram uma forma de comprometer a transparência e o acesso a provas essenciais.
A controversa movimentação também se intensificou após a divulgação de que Toffoli teria uma relação pessoal de longa data com um advogado ligado ao Banco Master — incluindo uma viagem em um jato particular do qual ambos participaram, fato citado nas reportagens e que gerou questionamentos sobre imparcialidade e conflito de interesses.
Decisões tomadas por Toffoli no caso incluem:
Prorrogação por 60 dias das investigações a pedido da PF.
Determinação de sigilo elevado no processo, limitando o acesso de congressistas e da CPMI a documentos relacionados ao caso.
Alterações nos prazos de depoimentos e diligências determinadas para a Polícia Federal.
Críticas públicas à PF por descumprimento de prazos por ele determinados.
Essas medidas foram vistas por alguns parlamentares como maneiras de dificultar o trabalho investigativo e proteger investigados, o que ampliou a percepção de que há interferência em instrumentos constitucionais de fiscalização e investigação.
Na segunda quinzena de janeiro de 2026, lideranças da oposição no Senado, incluindo os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES), protocolaram formalmente um pedido de impeachment contra Dias Toffoli, alegando crime de responsabilidade e suspeição na condução do processo, por suposto envolvimento direto com partes ligadas ao banco investigado.
Por sua vez, o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, em nota, saiu em defesa de Toffoli, argumentando que o magistrado estaria exercendo supervisão judicial regular e que pressões políticas ou midiáticas não podem revogar o papel institucional da Corte.
Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou um pedido de investigação contra Toffoli no Espírito do Caso Master, justificando que a atuação do ministro já estava sendo apurada dentro da própria Corte.
A maneira como o processo tem sido conduzido levanta sérias questões de governança, independência e integridade institucional:
Decisões como centralizar o caso no STF sob sigilo e limitar a participação de comissões parlamentares de investigação podem ser interpretadas como uma quebra de decoro jurídico e político quando comparadas com princípios de transparência e accountability pública, essenciais a um Estado Democrático de Direito.
A proximidade pessoal entre o ministro e advogados ou figuras ligadas ao Banco Master, especialmente à luz de viagens conjuntas e relações anteriores, adiciona um elemento de conflito de interesses percebido, que pode deteriorar a confiança da sociedade na imparcialidade judicial, sobretudo em casos de alta relevância econômica e política.
A condução do caso, com sigilo rígido, decisões divergentes e alterações de prazos que afetam investigações federais, abre um precedente que pode ser explorado em futuras disputas judiciais, fragilizando ainda mais os mecanismos de controle democrático e de fiscalização externa.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com