
Os trabalhadores dos Correios entraram em greve nacional por tempo indeterminado na noite da última quinta-feira (10/09), após rejeitarem a proposta apresentada pela direção da estatal durante as negociações da campanha salarial 2026/2027. A decisão foi aprovada em assembleias realizadas em praticamente todo o país.
Entre as principais reivindicações da categoria está a manutenção das condições do plano de saúde para empregados, aposentados e dependentes, além da defesa de direitos previstos no acordo coletivo e avanços econômicos. Os trabalhadores rejeitaram mudanças consideradas prejudiciais no custeio e na manutenção da assistência médica.
A greve, porém, ocorre em um momento em que a estatal enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história. Apesar dos números negativos, escândalos apontam saída de valores milionários para "Patrocínios Duvidosos e Publicidade".
Os números impressionam:
- O prejuízo foi de aproximadamente R$ 597 milhões em 2023;
- Saltou para R$ 2,6 bilhões em 2024;
- Chegou a R$ 8,5 bilhões em 2025;
- Somados, os três anos representam um rombo de cerca de R$ 11,7 bilhões.;
- Somente no primeiro semestre de 2026, os Correios acumulam prejuízo de aproximadamente R$ 5,55 bilhões. No segundo trimestre, o resultado negativo chegou a R$ 2,4 bilhões.
A CONTA NÃO FECHA: Neste período, a estatal já contratou R$ 12 bilhões em empréstimos e agora busca mais R$ 7 bilhões junto a bancos privados. Além disso, o Orçamento de 2027 prevê R$ 6 bilhões em recursos da União para apoiar a recuperação financeira da empresa.
O contraste é evidente: de um lado, trabalhadores lutam para preservar direitos; de outro, a empresa acumula bilhões em prejuízos e precisa recorrer a novos empréstimos e recursos públicos para continuar funcionando.
A crise coloca em xeque a capacidade administrativa dos Correios e aumenta a pressão sobre a direção da estatal: quem será responsabilizado pelo rombo bilionário e por uma gestão que levou uma das maiores empresas públicas do país a depender cada vez mais de dinheiro e crédito garantidos pelo Estado?
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com